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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Crônica da Semana

(Sergio Cruz)


De grão em grão a galinha enche o papo, de papo em papo a conversa enche o saco, o fraco perde o foco, a faca finca a ponta, a pontada aponta o peito, o peitudo peita o pato, a peta pinta a verdade, a verdasca vence o vexado, o vexilo veza o vento, a ventoinha veta o calor, o valor amansa o preço, o apreço amacia o tosco, o fosco anuvia a luz, o luzente alumia o rumo, o ramo atavia o tronco, o tranco destranca o trinco, a trinca tranca a trupe, o tropel atropela a tropa, a tripa triplica a fome, a fama fanatiza o fã, a família afaga o legado, o ligado desliga o passado, o passivo possui a memória, o memorando remora a mora, a amora cora o coral, o curral confina o touro, o ouro escolhe o dono, o dano perde a razão, a ração refina o gosto, o gesto gesta o amigo, o âmago amagota os magros, o macro alonga a vogal, o vagal não tem horário, o erário não tem chave, a chuva chama o trovão, a trova trama o poema, o poente atrai o sol, a sola abranda o peso, o pouso amortece a queda, a cauda equilibra o passo, a peça pede graxa, a graça acarreta o riso, o raso concede o vau, a valsa concebe a dança, o denso conhece o volume, o lume elimina as trevas, a trava atravessa o travo, o trevo atrai a ventura, a aventura trai o senso, o censo dispõe os dados, os dedos contam a fortuna, o fortuito fortalece a crença, o crendeiro acredita em tudo, o todo é feito de partes, o aparte reparte o discurso, a discussão refaz o impasse, o impassível desfaz o impossível, o impassável perfaz o retorno, o contorno circunda o perigo, o perigônio protege a florada, o floreado embala a cantiga, a caatinga demarca o sertão, o certo responde a questão, o questuoso repõe o dano, o dono detem o usufruto, o furto farta ao farsante, o farsista falseia o pesar, o pesadelo corrompe o sonho, a sanha assanha o ódio, a odisséia inventa a viagem, a voragem arrebata a emoção, a emulsão revela a imagem, a imaginação vence a distância, o dístico é o moral da fábula, a confabulação é a senha do ataque, o achaque convida a mentira, o mentário convoca o herdeiro, o aceiro desloca o incêndio, o incenso acende a reflexão, o reflexo duplica a miragem, o mirante reduz o tamanho, o tamanco aumenta a estatura, a estátua estatui o status, o estábulo estabelece o espaço, o espesso expede vigor, a vigência expele o teor, a teoria tematiza o real, o realejo sintetiza a saudade.                          

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