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domingo, 29 de janeiro de 2012

Manuscript

(Sergio Cruz)

Em boca fechada não entra mosca, rosca frouxa não espana, cana velha também dá garapa, capa nova também vaza, casa caiada também cai, pai amoroso é o que mais sofre, cofre aberto é o que menos atrai, sai o que acha a porta aberta, acerta mais a pior pontaria, ponte quebrada canoa aviada, viado esperto onça por perto, o incerto às vezes acerta, a certeza ainda deixa dúvidas, a dádiva não faz restrição, o restrilho não escolhe palha, o palhaço ri da própria dor, o calor emana do sorriso, o prejuízo vem do lucro, a lucubração provem do medo, o médio retém o máximo, o próximo mantém a fila, o filé contém o gosto, agosto detém a fama, a fome roteiriza o filme, o firme atemoriza o fraco, o frasco acondiciona o bálsamo, balsedo garante a sombra, sombrias lembranças impingem pavor, pivô de tragédia escapa ileso, o leso consegue o melhor lugar, o lugar-comum nem sempre é o mesmo, a esmo leva a qualquer destino, o desatino irreleva a pessoalidade, a caridade não tem rosto, o resto deixa rastro, o rasteiro restringe o espaço, o espesso sustenta o peso, o passo pede passagem, a paisagem inspira o poeta, o poente aspira o entardecer, a tardança respira o amanhecer, o amanhã amanha a alma, o almanaque distingue o destino, o destinto destinge o desafeto, o desafeito desafia o desarmado, o desamado desiste do desdizer, o desditoso desanima de querer, o querelante insiste nas quireras, a quiromante assiste o futuro, o frutuoso flutua na fartura, a fratura expõe a sofrença, o sôfrego depõe a serenidade, o sereno repõe a temperança, o tempero dispõe o sabor, o saber propõe o debate, o debacle supõe ressurgir, ressumir antepõe sinergia, sinistro sinaliza tragédia, trajetória analisa caminhos, camisinha previne plural, o sarau sublima o ócio, o fóssil libera o óleo, o olho alcança o mundo, o mando incute o terror, o terral acaricia o mar, o maracá cadencia a dança, a lança atinge a tintura, o tinto aflige as mágoas, a água não lava a detração, traição não tem perdão, perdição não tem saída, o sainte fecha a porta, o portal destaca o poster, o postal aposta na paz, a paciência atravessa o deserto, o desertor se perde no atalho, o entulho atalha a corrente, o carente escarnece a ajuda, a desnuda desdenha o pudor, o poder prioriza o mando, a mandinga embaraça a fé. E haja mosca para tantas bocas.

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